Este trabalho trata da navegação comercial na Bacia do Alto Paraná, em território do antigo Sul do Mato Grosso, (que corresponde ao Estado do Mato Grosso do Sul), durante a primeira metade do seculo XX. Abordando-se especialmente a região situada ao Sul da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, (caracterizada pela atividade de pecuária bovina e da extração da erva-mate), procura-se mostrar que nesta região, dada a ausência de outras ferrovias e a imprestabilidade das estradas de rodagem, a navegação fluvial desempenhou por algum tempo, um papel econômico relativamente importante em articulação com as ferrovias paulistas, (sobretudo a Sorocabana). Constituiu por um lado parte do esforço de expansão do capital sediado no pólo paulista, facilitando o abastecimento da região com gêneros de consumo, aí incluídos produtos da industria como da agricultura paulista. Por outro lado permitiu a exportação de erva-mate, tanto via São Paulo, como e principalmente via Baixo Paraná, em direção ao mercado argentino.
Mostrando postagens com marcador História Econômica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História Econômica. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Revisitando um velho modelo - Contribuições para um debate ainda atual sobre a história econômica de Mato Grosso - Mato Grosso do Sul - Paulo Roberto Cimó Queiroz
A historiografia mato-grossense1 inicia-se, em sua versão considerada tradicional, pelo menos na primeira década do século XX (cf. Zorzato, 1998). Já no âmbito universitário, o ensino e a pesquisa em História são bem mais recentes. No espaço correspondente ao atual Mato Grosso do Sul, o ensino superior em História começou nos anos 1960, quando se formaram, nesse espaço, os núcleos que originariam as futuras universidades sul-mato-grossenses. A pesquisa, por sua vez, começou a desenvolver-se na década seguinte, quando a Universidade Estadual de Mato Grosso (que em 1979 se transformaria na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS) passou a enviar seus docentes aos programas de pós-graduação estabelecidos nos grandes centros brasileiros...
Foi portanto nesse contexto ainda inicial que, em 1984, Gilberto Luiz Alves (então mestre em Educação e docente da UFMS em Corumbá) publicou um extenso ensaio sobre a história econômica de Mato Grosso/Mato Grosso do Sul, intitulado: Mato Grosso e a história, 1870-1929: ensaio sobre a transição do domínio econômico da casa comercial para a hegemonia do capital financeiro. Rico em referências empíricas, fornecendo um amplo panorama das condições econômicas presentes em Mato Grosso/Mato Grosso do Sul durante longo período (que aliás ultrapassa os marcos indicados no título), o referido texto se destaca da produção acadêmica anterior pela maior preocupação em tentar fornecer uma abrangente explicação da natureza e das causas das transformações verificadas. Com tais credenciais, o trabalho de Alves tornou-se referência para jovens pesquisadores sul-mato-grossenses do campo das Ciências Humanas.
A Companhia Mate Laranjeira e seus fluxos mercantis (1891-1902) - Paulo Roberto Cimó Queiroz
A Cia. Mate Laranjeira (CML), uma sociedade anônima fundada no Rio de Janeiro, em 1891, com o fim de explorar os ervais nativos na porção sul do então estado brasileiro de Mato Grosso (porção aqui chamada SMT), organizou nessa época um vasto circuito mercantil interligandoas áreas de produção e consumo de sua erva-mate. A face mais conhecida desse circuito envolvia o SMT e a Argentina (o principal mercado consumidor da erva) e consistia nos fluxos de importação de gêneros de consumo dos trabalhadores e exportação de erva cancheada – o que era feito por meio de uma íntima cooperação com a firma bonairense Francisco Mendes & Cia. e de uma extensa utilização do sistema fluvial platino, sobretudo os rios Paraguai/Paraná. O presente texto, baseado em documentos originais da empresa (sobretudo os relatórios da diretoria), busca entretanto mostrar que esses fluxos atingiram níveis mais elevados de amplitude e sofisticação. Mostra-se que eles envolviam também, em grande escala, o território da República do Paraguai (tanto que, durante um certo tempo, a verdadeira sede operacional da empresa ficou estabelecida em Assunção) e evidencia-se sobretudo que a CML promoveu nessa época uma notável verticalização de suas atividades, mediante a aquisição de uma fábrica de beneficiamento da erva em Buenos Aires, e intentou ingressar ainda nos mercados de Montevidéu,do Rio de Janeiro (onde chegou a estabelecer uma outra fábrica, embora de menores dimensões) e até mesmo dos Estados Unidos da América.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A INTEGRAÇÃO PRODUTIVA DO CONE SUL DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL AO TERRITÓRIO NACIONAL - Walter Guedes da Silva - Marina Evaristo Wenceslau
Ao discutir o processo de integração do Sul do Mato Grosso do Sul ao território nacional, foi possível entender que tal integração foi parcial, seletiva e excludente, uma vez que nem todos os municípios e produtores dessa Região mudaram seu eixo de acumulação para os produtos que se apresentaram como nova oportunidade de acumulação, como é o caso da soja, do milho e do trigo. Na busca de melhor precisar nosso estudo, delimitamos a região de Dourados, localizada no Sul do Estado de Mato Grosso do Sul, composto por 13 municípios, para que pudéssemos atender ao nosso objetivo, que consiste em analisar o processo de integração produtiva dos municípios dessa Região com o território nacional. Enquanto procedimento metodológico realizou um levantamento bibliográfico e documental das políticas de desenvolvimento regional, fundamentado em análises de textos (principalmente a produção bibliográfica regional) e dados estatísticos, que serviram de base para o desenvolvimento de nossa pesquisa. Enquanto fundamentação teórica, recorremos às abordagens geográficas que discutem os avanços das relações capitalistas de produção sobre o campo, que subordinam o capital agrícola ao capital agroindustrial, contribuindo para o estabelecimento de novas relações sociais pela capitalização das unidades produtivas, gerando tanto a integração produtiva como a exclusão de produtores.
Link para o artigo:
segunda-feira, 7 de maio de 2012
TRANSPORTES E FORMAÇÃO REGIONAL: contribuições à história do transporte no Brasil (Alcides Goularti Filho e Paulo Roberto Cimó Queiroz - orgs.)
TRANSPORTES E FORMAÇÃO REGIONAL: contribuições à história do transporte no Brasil (Alcides Goularti Filho e Paulo Roberto Cimó Queiroz - orgs.)
A história dos transportes no Brasil é um tema relevante em termos não apenas acadêmicos como também políticos. Vivemos um momento em que se discute no Brasil a implantação ou ampliação de diversas rotas e eixos viários – caso, por exemplo, das ferrovias Transnordestina, Norte-Sul e Ferroeste, das hidrovias Tietê-Paraná e Paraná-Paraguai e outras. Os autores reunidos nesta coletânea oferecem uma contribuição à problemática da integração de mercados regionais, encarada pela óptica da História Econômica e levando em conta também, entre outros aspectos, os importantes contornos políticos das diversas experiências e tentativas de integração – contornos esses associados, por exemplo, às ideias de “ocupação” e controle dos ditos “sertões interiores” do país.
Sobre os organizadores:
Paulo Roberto Cimó Queiroz: licenciado em História pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso, de Campo Grande; especialista em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; mestre em História pela UNESP/Assis e doutor em História Econômica pela USP. Desde janeiro de 2006 está vinculado à Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), onde trabalha nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em História (mestrado e doutorado) e coordena o Centro de Documentação Regional, da Faculdade de Ciências Humanas. Publicou 2 livros, vários capítulos e diversos artigos em periódicos científicos nacionais e estrangeiros.
Alcides Goularti Filho: graduado em Economia pela Universidade do Sul de Santa Catarina; mestre em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas. É professor do curso de Economia da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) desde 1994. Pesquisador Produtividade do CNPq. Atualmente desenvolve projetos de pesquisa nos seguintes temas: transportes e formação regional, complexo ervateiro, marinha mercante, construção naval e SUDESUL. Publicou 2 livros – com destaque para Formação Econômica de Santa Catarina – e organizou outros 3.
Link para baixar o livro completo em PDF.
segunda-feira, 26 de março de 2012
ERVA MATE - SUA HISTÓRIA, SEUS ENCANTOS E DESENCANTOS - Humberto Antunes de Oliveira
Procuramos desenvolver uma pesquisa no sentido de expor de modo, ainda que superficial todo o período em que a extração da erva mate foi uma das maiores economias do país, passando pela criação da Companhia Mate Laranjeira, suas ações e reações, e a migração dos povos do sul, especialmente os gaúchos. Enfocamos ainda a produção ervateira dos pequenos produtores, sua união em Sindicato e depois em Cooperativas, a queda da importação do mate pela Argentina e quebra das cooperativas e de todo o sistema produtivo do mate no Mato Grosso. Abordamos ainda a construção da primeira indústria de mate solúvel do Brasil e sua contribuição para a economia da região sul do então Mato Grosso.
Link:
Erva Mate - Seus encantos e desencantos.
Link:
Erva Mate - Seus encantos e desencantos.
Assinar:
Postagens (Atom)