A Cia. Mate Laranjeira (CML), uma sociedade anônima fundada no Rio de Janeiro, em 1891, com o fim de explorar os ervais nativos na porção sul do então estado brasileiro de Mato Grosso (porção aqui chamada SMT), organizou nessa época um vasto circuito mercantil interligandoas áreas de produção e consumo de sua erva-mate. A face mais conhecida desse circuito envolvia o SMT e a Argentina (o principal mercado consumidor da erva) e consistia nos fluxos de importação de gêneros de consumo dos trabalhadores e exportação de erva cancheada – o que era feito por meio de uma íntima cooperação com a firma bonairense Francisco Mendes & Cia. e de uma extensa utilização do sistema fluvial platino, sobretudo os rios Paraguai/Paraná. O presente texto, baseado em documentos originais da empresa (sobretudo os relatórios da diretoria), busca entretanto mostrar que esses fluxos atingiram níveis mais elevados de amplitude e sofisticação. Mostra-se que eles envolviam também, em grande escala, o território da República do Paraguai (tanto que, durante um certo tempo, a verdadeira sede operacional da empresa ficou estabelecida em Assunção) e evidencia-se sobretudo que a CML promoveu nessa época uma notável verticalização de suas atividades, mediante a aquisição de uma fábrica de beneficiamento da erva em Buenos Aires, e intentou ingressar ainda nos mercados de Montevidéu,do Rio de Janeiro (onde chegou a estabelecer uma outra fábrica, embora de menores dimensões) e até mesmo dos Estados Unidos da América.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Área de influência da Cia Mate Laranjeira
Em 1813, o ditador do Paraguai, Francisco Francia proíbe a exportação de erva mate e assim, torna-se o Brasil o único produtor e exportador de erva mate. Dessa forma, alguns comerciantes paraguaios e espanhóis vieram se instalar em terras paranaenses, montando engenhos para beneficiar o mate. Curitiba torna-se assim um centro de exportação, transformando a erva mate em uma das maiores riquezas nacionais.
O inicio da exploração dos ervais nativos se deu após a Guerra da Tríplice Aliança, contra o Paraguai. Com o inicio da demarcação dos limites entre Brasil e Paraguai, chefiada pelo Coronel Eneas Gustavo Galvão e apoiado por uma tropa de infantaria comandada pelo Major Antonio Maria Coelho e que tinham como um dos fornecedores de alimentos e gêneros para as tropas e a comissão, um gaucho chamado Tomas Laranjeira.
Em 1882, Tomas Laranjeira conseguiu o monopólio de extração da erva mate através de uma concessão de dez anos em uma extensa região.
Quase a metade do atual estado do Mato Grosso do Sul esteve nas mãos da Companhia Matte Laranjeira. Iniciando com o Decreto Imperial 9692 de 31 de Dezembro de 1.886 e após incorporando novas terras devolutas até se tornar um estado dentro do Estado.
Maiores detalhes podem ser encontrados no artigo "A ERVA-MATE, SUA HISTÓRIA, SEUS ENCANTOS E DESENCANTOS", também neste blog.
Quase a metade do atual estado do Mato Grosso do Sul esteve nas mãos da Companhia Matte Laranjeira. Iniciando com o Decreto Imperial 9692 de 31 de Dezembro de 1.886 e após incorporando novas terras devolutas até se tornar um estado dentro do Estado.
Maiores detalhes podem ser encontrados no artigo "A ERVA-MATE, SUA HISTÓRIA, SEUS ENCANTOS E DESENCANTOS", também neste blog.
No link abaixo pode-se visualizar a área de abrangência e influência da Cia Matte Laranjeira.
ERVA MATE : ORIGENS, COSTUMES E HISTÓRIA
Roberto Ave-Lallemant (1812-1884) visitando o Rio Grande do Sul em março de 1858, registra a importância folclórica da erva-mate: "O símbolo da paz, da concórdia, do completo entendimento – o mate! Todos os presentes tomaram o mate. Não se creia, todavia, que cada um tivesse sua bomba e sua cuia própria; nada disso! Assim perderia o mate toda a sua mística significação. Acontece com a cuia de mate como à tabaqueira. Esta anda de nariz em nariz e aquela de boca em boca. Primeiro sorveu um velho capitão. Depois um jovem, um pardo decente – o nome do mulato não se deve escrever; depois eu, depois o “spahi”, depois um mestiço de índio e afinal um português, todos pela ordem. Não há nisso, nenhuma pretensão de precedência, nenhum senhor e criado; é uma espécie de serviço divino, uma piedosa obra cristã, um comunismo moral, uma fraternidade verdadeiramente nobre, espiritualizada! Todos os homens se tornam irmãos, todos tomam o mate em comum!"
(Viagem pelo Sul do Brasil, 1.º, 191. Rio de Janeiro, 1953).
O Genero Ilex - Alternativas de sustentabilidade no uso de etnoespécies pelos Kaiowa e Guarani em Ms - Adriana Zanirato Contini
O presente trabalho objetiva investigar o papel etnobotânico de espécies do gênero Ilex no cotidiano dos índios Kaiowá e Guarani da Reserva Indígena de Caarapó, Mato Grosso do Sul. Pontuar os sinais indicativos de desenvolvimento ao longo de sua história, embasarão as sinalizações para desencadeamento do processo de desenvolvimento local desses povos, a partir do material botânico nativo em foco, também objetivo desta pesquisa. No primeiro capítulo, realizou-se uma contextualização histórica da Ilex paraguariensis St. Hil., a erva mate, a espécie mais utilizada do gênero pelos Kaiowá e Guarani; buscou-se, assim, delinear o papel desta espécie nos processos ocorridos, inclusive no concernente à colonização do sul do Estado.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
A EXTRAÇÃO DA ERVA MATE - JOSÉ BARBOSA RODRIGUES
Cessado o toque de clarim às margens do riacho
paraguaio Aquidabãnigui, onde Solano Lopez expirou vítima da guerra que
provocara, o governo imperial brasileiro não se descuidou de estabelecer em
definitivo os lindes territoriais brasileiros com a República do Paraguai.
Foi criada então a Comissão de Limites com a
finalidade de marcar a linha divisória entre os dois países, de acordo com o
princípio do utis possidetis e das
decisões arbitrais.
Os sonhos acalentados pelos conquistadores
espanhóis desde os tempos de Irala até Solano Lopez foram afogados pelo rio de
sangue que este último provocou no dia de 12 de novembro de 1864, quando
aprisionou o vapor Marquês de Olinda.
A Comissão de Limites, que teve os seus trabalhos
iniciados a partir de 16 de agosto de 1872, constituída de representantes do
Brasil e do Paraguai, tinha como fornecedor um cidadão brasileiro por nome
Tomás Laranjeira, natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. No exercício de
suas funções este fornecedor, nas suas andanças pela região, teve ocasião de
travar conhecimento dos ervais nativos que constituíam verdadeiras matas em
áreas que se estendiam pelos atuais municípios de Dourados, Ponta Porã, Bela
Vista, etc.
Aquela riqueza ervateira, que cobria vasta área do
atual Mato Grosso do Sul, despertou em Laranjeira, possuidor de espírito
prático e empreendedor, que permanecera, depois da Guerra, no Paraguai e
conhecera a arte da industrialização da erva, por intermédio do Visconde de
Maracaju, seu antigo chefe na Comissão Demarcadora de Limites, que lhe deu a
concessão
(Decreto n. 81.799, de 9 de dezembro de 1882) que
pleiteava, pois o consumo da erva-mate era grande nos povos do sul do continente.
Antes de 1930, a Argentina consumia aproximadamente
75 milhões de quilos de erva-mate, sendo 60 milhões procedentes
do Brasil, ou seja, do Paraná, Santa Catarina e
Mato Grosso. Da região ervateira de Mato Grosso a Empresa Mate Laranjeira e outras
pequenas de Foz do Iguaçu contribuíam com 20 milhões. Dentro de pouco tempo,
contando com o braço de índios guaranis e de paraguaios, iniciou Laranjeira
uma nova indústria extrativa de grande aceitação no comércio sulino, pois a
Ilex paraguariensis nativa na região apresentava sabor especial, que superava o
dos ervais tradicionais tanto do Paraguai como da Argentina. O campônio
paraguaio e o gaúcho dos pampas, afeito aquele ao tereré e este ao chimarrão,
passaram a dar preferência ao produto originário da região que ficava acima do
rio Apa.
“A exploração dos ervais de Mato Grosso foi
realizada principalmente por paraguaios que, falando também o guarani, mais facilmente
puderam aliciar os índios para o trabalho, ensinar lhes as técnicas de extração
e o preparo da erva e acostumá-los ao uso de ferramentas, panos, aguardentes,
sal e outros artigos, cujo fornecimento posterior era condicionado à sua
integração, como mão-de-obra, na economia ervateira.” (Darci Ribeiro, OS ÍNDIOS
E A CIVILIZAÇÃO, p. 89).
A indústria de Tomás Laranjeira expandiu-se do dia
para a noite, passando a constituir fonte estupenda de riqueza até a década de
quarenta, no século atual (século 20). Proclamada a República, assumiu o
governo de Mato Grosso o general Antônio Maria Coelho, outro companheiro de Laranjeira,
o que facilitou um contrato mais amplo para a extração do
mate na extensa região delimitada pelos rios
Brilhante e Ivinhema ao norte, o Paraná ao leste, e Iguatemi ao sul e serra de
Amambaí ao oeste. Esse contrato foi referendado pelo governo republicano, pelo
Decreto n. 520. O Estado passou a lucrar com os rendimentos de imposto,
enquanto que povoações iam surgindo na região que antes da Guerra do Paraguai era
contestada pelos dois países – Brasil e Paraguai – teatro que era de sortidas
freqüentes entre os habitantes da região.
Aos poucos, Tomás Laranjeira construíra um
verdadeiro império de trabalho onde o paraguaio, derrotado e necessitado de
sobreviver, encontrava, graças ao seu sistema frugal de vida, meios de
subsistência. Em épocas certas do ano os ervais silenciosos enchiam-se de vida
com a presença dos ervateiros a colher a erva, num trabalho verdadeiramente
hercúleo.
Fundado o Banco Rio e Mato Grosso, sob a direção do
dr. Joaquim Murtinho, aliou-se a ele Tomás Laranjeira, do que resultou a
formação da Companhia Mate Laranjeira, sociedade anônima, com um capital de 15.000
ações, das quais Laranjeira ficou com apenas 110. Mais tarde, assumindo o
governo de Mato Grosso o dr. Manuel Murtinho, mano do responsável pelo Banco
Rio e Mato Grosso, o Estado arrendou àquela as terras devolutas situadas entre
o ribeirão Onças, a serra de Amambaí, o ribeirão São João e os rios Dourados,
Brilhante, Ivinhema e Paraná. Em 15 de julho de 1893, essa área foi acrescida
com todo o vale do Santa Maria, pela Resolução Legislativa n. 103.
Tomás Laranjeira, nome hoje em dia pouco conhecido
das novas gerações, foi com a indústria extrativa um pioneiro, verdadeiro
bandeirante, que muito fez no sentido da conquista e do desbravamento da
região. Hoje em dia o seu nome é lembrado apenas nas referências históricas ligadas
à Companhia Mate Laranjeira, que passou, no século 20, a constituir
um estado dentro do Estado, formada por capital
argentino e dirigida pelos representantes de seus acionistas.
A história desta Companhia, que ainda não foi
escrita totalmente, é cheia de altos e baixos, estes quase sempre prejudiciais
ao desenvolvimento regional, o qual somente pôde ser devidamente levado avante com
a reação de governos de Mato Grosso, que aos poucos foi cortando as suas asas e
contendo as suas arrancadas expansionistas.
É inegável a existência de alguns saldos positivos
deixados pela Mate Laranjeira, como a abertura de estradas, a criação de
localidades como Porto Murtinho, antiga fazenda Três Barras, em plena região
pantaneira, por onde era exportado o produto da extração ervateira.
A intolerância dos donos da Mate Laranjeira para
com os brasileiros que chegavam principalmente do Rio Grande do Sul, fugindo às
impiedosas “guerras caudilhescas” que enlutaram aquele Estado no fim do século 19
e início do século 20, ensejou por parte destes um ambiente de revolta contra o
domínio da Empresa argentina, que não permitia o estabelecimento de outras
atividades que não a extração ervateira de seu interesse, o surgimento do
Movimento Divisionista, que teve por berço Nioaque. Ali repercutiu o brado de
Muzzi, que ecoou na revolta de Mascarenhas, coadjuvado pelo advogado Barros
Cassal, que ali se homiziara, vindo de Porto Alegre, por perseguição política.
Além de Porto Murtinho, as povoações de Ponta Porã,
Bela Vista e Colônia Penzo (atual município de Antônio João) e Dourados foram
localidades que se formaram durante este período marcante de após guerra, na
região ervateira.
Com as ampliações verificadas no decorrer da
concessão, a área ocupada pela Mate Laranjeira atingiu a mais de 1.600 léguas
quadradas!
A fim de facilitar a exportação do produto, o Banco
de Murtinho adquiriu à margem esquerda do rio Paraguai a fazenda Três Barras,
abaixo do Fecho dos Morros, e fundou Porto Murtinho.
Passando ao controle da Mate Laranjeira, da qual
era o maior acionista o Banco Rio e Mato Grosso, a indústria idealizada por
Tomás Laranjeira expandiu-se muito além da expectativa, tornando-se o governo
de Mato Grosso sem forças para interferir efetivamente na região, não faltando em
alguns períodos governamentais a influência da Empresa, ligada a próceres
políticos influentes. A localidade de Campanário, na região de Ponta Porã, sede
administrativa em Mato Grosso, da Mate Laranjeira, tornou-se durante alguns
anos como que uma cidade medieval fechada a quem quer que fosse, um delegado de
polícia ou mesmo um juiz de direito. As autoridades designadas pelo governo
estadual eram simplesmente corrompidas se quisessem manter-se no cargo. Até
mesmo o governo estadual, nos seus momentos de apertura financeira, recorreu a
empréstimos e garantias que a Empresa atendia com vistas à aquisição futura da
extensa área objeto da concessão.
A Mate Laranjeira “tão desproporcionadamente
prosperou, em relação à economia mato-grossense, que, por fim dispunha de recursos
com que pudesse intervir na política estadual, franca ou veladamente.(....).
Conseqüência fatal de tal pujança, com o apoio fortalecia os governos amigos,
do mesmo passo que perturbava, com sérias hostilidades, as administrações ou
partidos adversos”. (V. Correia Filho, PEDRO CELESTINO, p. 102). n. 1 –
setembro de 2003
O domínio adquirido pela Mate Laranjeira baseava-se
em contrato que firmara com o governo de Mato Grosso a 2 de agosto de 1894,
contrato pelo qual lhe era dada a permissão para colher a erva a ser
industrializada e comerciada “desde as cabeceiras do rio das Onças, na serra de
Amambaí, pelo ribeirão S. João e nos Dourados, Brilhante, Ivinhema e Paraná até
a serra das Onças”. Entrando em liquidação o Banco Rio e Mato Grosso, proprietário
de 14.500 ações de um total de 15.000, do qual era presidente Manuel Murtinho,
a concessão de exploração dos ervais, que perduraria até junho de 1916, passou
para a firma Laranjeira, Mendes e Cia., com sede em Buenos Aires, sendo a
transferência da concessão
autorizada por lei especial de 19 de maio de 1902.
Além de estradas carreteiras abertas pela Mate
Laranjeira, esta construiu uma estrada de ferro no Estado do Paraná ligando
Guaíra a Porto Mendes, com a estação intermediária, Dr. Oliveira Castro,
vencendo a região não-navegável de Sete Quedas. A última composição trafegou em
1954. A sua principal estação foi submersa, em 1982, com a formação da represa
de Itaipu. Também em Porto Murtinho uma outra fora construída para transporte
do produto das colheitas, desde os ervais até o cais de embarque, no rio
Paraguai.
Desentendimentos políticos em Cuiabá, que não vem a
pêlo historiar neste trabalho, protelaram durante anos uma decisão definitiva
sobre a concessão para a exploração da erva-mate, apesar da proteção dispensada
à Empresa pelo senador Antônio Azeredo, que enfrentava a campanha de defesa dos
interesses do Estado e dos povoadores da região movida pela figura varonil de
Pedro Celestino Correia da Costa. Enquanto essa situação perdurava, os ervais
do Paraná passaram a ser mais bem explorados e a Estrada de Ferro Noroeste ia
avançando sobre a região sulina de Mato Grosso. Em conseqüência, a indústria
ervateira do antigo império da Mate Laranjeira entrava em declínio.
Para se ter uma idéia do quanto o contrato da
concessão interessava à Empresa, basta que se diga que sobre a produção de uma
área de 1.400.000 hectares o Estado recebia apenas a importância de trezentos e
cinqüenta mil réis, até seis milhões de quilos de erva exportados.
No governo de Dom Fr. de Aquino Correia, eleito
graças a um acordo entre as correntes políticas, títulos de propriedade de
terras começaram a ser expedidos aos posseiros que conseguiram radicar-se na
região.
Foi somente após a Revolução de 1930, que levou
Getúlio Vargas ao Poder, com a mudança da mentalidade reinante na chamada
República Velha, que a Empresa entrou em paulatina liquidação de suas
propriedades.
O governo federal desapropria as instalações de
Guaíra e o serviço de navegação que a Mate Laranjeira mantinha no alto Paraná,
acabando com o monopólio que subsistiu durante setenta anos.
Como decorrência dessas medidas, novos povoadores
foram entrando na região, surgindo núcleos populacionais hoje transformados em municípios.
Na região de Dourados, a Colônia Federal, criada
pelo governo brasileiro, atraiu centenas de pequenos produtores rurais que
foram desbravando a área que era coberta por ricas matas, cujo solo se mostrava
propício à lavoura e à formação de viçosas pastagens.
Coube ao governo de Arnaldo Estêvão de Figueiredo
(1947-1950), com a sua política de terras, dar o tiro de misericórdia na Mate
Laranjeira, acabando com o agonizante império iniciado por Tomás Laranjeira.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Mboroviré - A erva-mate no Paraguai colonial - Paulo Cezar Vargas Freire
Esta dissertação estuda o processo de formação de fronteiras na região em que predominou a produção ervateira, durante o período colonial do Paraguai (1534-1811).Analisa a sobreposição dessas fronteiras e dos domínios políticos, identificando-os no espaço geográfico e temporal. Investiga também a inter-relação entre a inserção social e econômica da atividade ervateira no mercado colonial e as mudanças ocorridas na apropriação do trabalho, em um contexto de migrações regionais e sociais. Por último, discute as consequências da pressão portuguesa sobre os conflitos de interesses na região.
sábado, 16 de agosto de 2014
CAÁ - A FORÇA DA ERVA - DOCUMENTÁRIO
Este documentário resgata a época do ciclo da erva
mate, um período de extrema importância na história de Mato Grosso do Sul.
Grande parte da região sul do então estado do Mato Grosso era ocupada por
ervais nativos e a exploração desses ervais foi uma forma de alavancar a
colonização e crescimento econômico da região. Neste documentário, é mostrado
através de entrevistas com personagens que viveram naquela época, além de
entrevistas com pesquisadores e historiadores.
Caá - A Força da Erva mostra um panorama que vai desde a Cia. Matte
Laranjeira e a exploração dos paraguaios, muitas vezes de forma brutal nos
ervais até os dias de hoje.
Direção: Lú Bigatão
Produção: Ubirajara Guimarães
Roteiro: Rosiney Bigattão
Direção de fotografia: Zédu Moraes e Dalmo de
Oliveira
Duração: 60 min.
Ano: 2005
Apoio: FIC - Fundo de Investimentos Culturais,
Prefeitura Municipal de Dourados.
Realização: Teatral Grupo de Risco.
terça-feira, 23 de julho de 2013
A mão-de-obra paraguaia no fluxo do Rio Paraná: uma breve leitura - Leandro Baller
Este artigo propõe uma análise bibliográfica referente utilização da mãode-obra paraguaia utilizada durante um período aproximado de meio século, desde os fins do século XIX até meados do século XX, especialmente na exploração da erva-mate e na extração de madeira no antigo sul de Mato Grosso[ii] atual Mato Grosso do Sul também no oeste do Paraná.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
CAARAPÓ - MS – UMA REFLEXÃO PRELIMINAR SOBRE A FRENTE DE EXPANSÃO - 1880-1950 - Roni Mayer Lomba e Júlio César Suzuki
A discussão a respeito da frente de expansão no Sul do antigo Estado de Mato Grosso (lugar onde se assenta a cidade de Caarapó) é importante para conhecermos os cernes que explicam as formas de ocupação no atual município de Caarapó e as relações engendradas. Para explicar essas formas de ocupação, nos embasamos em Martins (1989 e 1997), que aponta a frente de expansão a formas pelos quais não se predomina a propriedade privada da terra. Refere-se especialmente a formas de ocupação de caráter “espontâneo”. Nela nos ocupamos em registrar os assentamento dos indígenas, da expansão da pecuária dentro de uma economia de excedentes. No Sul do Antigo Mato Grosso também se registrou no final do século XIX o assentamento da exploração dos ervais nativos e a formação do maior complexo privado da época, a expansão das ações da Cia Matte Larangeira.
Link para o artigo:
A mão-de-obra paraguaia no fluxo do Rio Paraná: uma breve leitura -Leandro Baller
Este artigo propõe uma análise bibliográfica referente utilização da mão de obra paraguaia utilizada durante um período aproximado de meio século, desde os fins do século XIX até meados do século XX, especialmente na exploração da erva-mate e na extração de madeira no antigo sul de Mato Grosso[ii] atual Mato Grosso do Sul e também no oeste do Paraná.
Link para o artigo:
sexta-feira, 22 de junho de 2012
A MULTIFACE DA EMPRESA MATE LARANJEIRA - Jovam Vilela da Silva
Os ervais sul mato-grossenses são nativos e abrangem uma extensa área. A área na qual inicialmente se instalou a Empresa Mate Laranjeira foi entre as cabeceiras dos rios Brilhante e Dourados. Além desses dois rios, estendiam-se os ervais pelos contornos e franjas do rio Sete Voltas, Ivinheima, Paraná até a serra de Maracajú e pela crista desta a da serra de Amambai, indo mais além e entrando pelo território vizinho do Paraguai. Estes mesmos ervais ocupavam ainda os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (mapa: Região dos Ervais). No final do século XIX e primeira metade do século XX, a indústria de beneficiamento foi tão remuneradora que a Empresa Mate Laranjeira surgiu e disputou a hegemonia deste negócio com o Estado do Paraná e com o Rio Grande do Sul.
O empreendimento foi idealizado e colocado em execução por Tomás Laranjeira e pelo colaborador e sócio Dr. Francisco Mendes Gonçalves. Dr. Francisco nasceu na ilha da Madeira em 18.06.1846, na aldeia de Campanário, nome este que mais tarde seria dado à sede do empreendimento dos negócios do Mate. Foi filho de um médico de numerosa prole, que diversas vezes viera ao Brasil, onde tinha parentes, exercendo a sua profissão a bordo. Ao morrer o pai, seu filho mais velho, Ricardo, então comerciante no Rio de Janeiro, mandou buscar, para o Brasil, toda a família.
Link para o artigo:
terça-feira, 19 de junho de 2012
Os Kaiowá e Guarani em tempos da Cia Matte Larangeira: negociações e conflitos. - Antônio Brand - Eva Mª L. Ferreira - Fernando Augusto Azambuza de Almeida
As concessões feitas à Companhia Matte Larangeira atingem em cheio o território dos Kaiowá e Guarani. Embora a mão-de-obra amplamente predominante nos ervais tenha sido a paraguaia, ocorreu, em várias regiões, o significativo engajamento de índios Kaiowá e Guarani na exploração da erva mate, em especial nos trabalhos relacionados à colheita e ao preparo da erva mate, como têm sido abundantemente comentado pelos diversos informantes indígenas. Nicásio Vasques, índio kaiowá, de Laguna Caarapã, relata bem como se dava o trabalho nos ervais.
http://www.4shared.com/office/uLeN5k0x/Os_Kaiow_e_Guarani_em_tempos_d.html
Link para o artigo:
Métodos, teorias e fontes no estudo dos colonos-ervateiros do antigo sul de Mato Grosso (1945-1970) - José Antonio Fernandes
Desde o fim do século XIX a erva-mate foi assumindo papel preponderante como produto chave da história econômica do antigo sul do estado de Mato Grosso, quando Tomás Laranjeira consegue um arrendamento de terras e inicia a exploração de imensos ervais nativos existentes na região onde surgiria a povoação de Ponta Porã 2. Sua produção de erva-mate semipreparada (cancheada) seguia para Argentina, principal mercado consumidor, onde possuía escritório e beneficiadora para o produto. Utilizava milhares de trabalhadores (majoritariamente paraguaios), mantidos em condições de trabalho subumanas. Realizou grandes investimentos e adquiriu grande poder e prestígio, chegando a ser o maior contribuinte da Fazenda Estadual no início do século XX 3, tendo por esse motivo, a presença e atividades dessa grande empresa realçada, possuindo o domínio quase exclusivo sobre a produção e exportação da erva-mate na região.
Link para o artigo:
Área de concessão de ervais no antigo Sul de Mato Grosso para a Companhia Mate Laranjeira
Mapa demonstrando a área de concessão para a CML, conforme Decretos 8799 de 1882; 520 de 1890; 26 de 1892 e 103 de 1895.
Link para o mapa:
http://www.4shared.com/office/x7D6j_4B/Area_de_concesso_de_ervais_par.html
Link para o mapa:
http://www.4shared.com/office/x7D6j_4B/Area_de_concesso_de_ervais_par.html
A MORTE NOS ERVAIS DE SELVA TRÁGICA, DE HERNÂNI DONATO - Jérri Roberto Marin
O artigo analisa a morte e atitudes diante dela na obra Selva Trágica, de Hernâni Donato. A morte e os ritos funerários não eram uma cerimônia pública, não seguiam nenhum protocolo e nem tinham caráter dramático ou gestos de emoção excessivos. A morte representava uma ruptura, ao libertar o homem do mundo irracional, violento e cruel. Por ser frequente e sua presença sempre iminente, não era apavorante nem obsessiva. Era familiar, o destino de todos os homens, apesar de não ser desejável morrer nos ervais.
Link para o artigo:
terça-feira, 5 de junho de 2012
PENETRANDO DOMÍNIOS DA MATTE LARANGEIRA: PRODUTORES INDEPENDENTES E FRENTES PIONEIRAS -ALBANEZ, Jocimar Lomba e JESUS, Laércio Cardoso de
Entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a região ervateira do antigo sul de Mato Grosso foi um espaço de grandes interesses entre a Companhia Matte Larangeira e os pequenos produtores de erva-mate, considerados como posseiros. A partir da criação da Lei 725 de 1915,1 muitos produtores tiveram possibilidades de adquirirem os títulos provisórios e definitivos da terra para a extração da erva-mate, promovendo concorrência à referida empresa. A lei de 1915 provocou reações adversas principalmente no que se referia aos interesses da Cia.
É importante observar que quando se trata da economia ervateira no antigo Sul de Mato Grosso (SMT),2 a historiografia mato-grossense e sul-mato-grossense tende a enfatizar a atuação e a presença da Companhia Matte Larangeira.3 Essa empresa, cuja origem remonta à iniciativa de Thomaz Larangeira, que entre as décadas de 1870 e 1880, exerceu um papel virtualmente monopolista na economia ervateira sul-mato grossense. Mas, é certo que muitos autores apontam a presença de produtores independentes nessa economia, entendidos como posseiros.
Link para o artigo:
http://www.4shared.com/office/hrYMBa0W/PENETRANDO_DOMNIOS_DA_MATTE_LA.html
Link para o artigo:
TERRAS DEVOLUTAS DE ÁREAS ERVATEIRAS DO SUL DE MATO GROSSO: A DIFÍCIL CONSTITUIÇÃO DA PEQUENA PROPRIEDADE (1916 – 1948) - JOSÉ ROBERTO RODRIGUES DE OLIVEIRA
As terras ervateiras do sul de Mato Grosso foram exploradas sob o signo do grande domínio, principalmente pela Companhia Matte Larangeira. Nesse sentido, o presente trabalho buscou resgatar os diversos mecanismos praticados, legais ou não, com vistas a manter o domínio por quase 60 anos de boa parte do atual território do Mato Grosso do Sul.
O estudo das leis, decretos, resoluções e bibliografias existentes sobre a posse e ocupação das terras do sul de Mato Grosso permitiu construir um quadro parcial, porém significativo, desse processo.
O trabalho discute que a exploração das terras ervateiras ocorreu com a presença da Companhia Matte Larangeira, beneficiada com concessões de arrendamentos, os quais geraram disputas e questionamentos. Dessa forma, os debates e discussões como “A Questão do Matte”, de 1912, a “Caetanada”, de 1915/1916, dentre outros, são retratos dos conflitos entre setores das elites mato-grossenses.
Link para a dissertação:
Link para a dissertação:
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Resenha do livro: A Companhia Mate Larangeira e a ocupação das terras do sul de Mato Grosso - 1880-1940 - Odalea Deniz Bianchini
Excelente livro. Relata a ocupação da terra do então Sul do Mato Grosso, pela Companhia Mate Larangeira. Leitura agradável e de fácil assimilação. Sugiro a aquisição e leitura do mesmo.
Link para o artigo:
http://www.4shared.com/office/zfwNNsYu/Resenha_de_Paulo_Avelino__A_Co.html
Link para o artigo:
http://www.4shared.com/office/zfwNNsYu/Resenha_de_Paulo_Avelino__A_Co.html
SELVA TRÁGICA: imposições e resistências - Fábio Luiz de Arruda Herrig
O presente artigo faz uma análise dos pontos históricos da obra Selva Trágica: a gesta no sulestematogrossense, de Hernani Donato. Esta historicidade buscada na literatura se refere às imposições feitas à cultura dos trabalhadores da Companhia Matte Larangeira e, respectivamente, as formas de resistências criadas por estes para manter os elementos constitutivos de sua cultura. De forma geral, portanto, o trabalho se debruça, em termos de tempo, sobre o período que corresponde ao início do século XX e em termos de espaço, ao cone sul do atual estado de Mato Grosso do Sul.
Link:
Link:
OS GUARANI E A ERVA MATE - Eva Maria Luiz Ferreira - Antonio Brand
Link:
http://www.4shared.com/office/OOrPG2ct/Os_Guarani_e_a_erva_mate_-_Eva.html
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